Keynote em Berlim mira a Europa
A Nvidia realizou em 21 de outubro, uma quarta-feira, a palestra de abertura da GTC Berlin 2026, apresentada pelo presidente-executivo Jensen Huang no Tempodrom, na capital alemã. As sessões do evento, de três dias, aconteceram em um espaço próximo, o STATION-Berlin. Segundo o blog oficial da empresa, a apresentação durou duas horas, das 11h às 13h no horário da Europa Central.
O discurso foi desenhado para o público europeu. De acordo com a Nvidia, a empresa assumiu compromissos de quase US$ 10 bilhões com o ecossistema de tecnologia da Europa durante uma semana de passagens por Paris, Londres, Estocolmo e Dublin, e trabalha com mais de 12 mil parceiros.
Vera Rubin em produção plena e o DSX POD
O anúncio central foi que a plataforma Vera Rubin está em produção plena. A Nvidia afirma que ela estende sua plataforma para processar agentes de IA inteiros, e não apenas modelos.
Junto veio o NVIDIA DSX POD, um desenho de referência para fábricas de IA completas baseadas em Vera Rubin. Os parceiros as constroem em contêineres modulares, que são integrados e validados antes da entrega. Segundo a empresa, o tempo de implantação no local pode cair de seis meses para 14 dias, desde que as utilidades do terreno, como energia e refrigeração, estejam prontas.
A DSX AI Factory Platform, de acordo com a Nvidia, pode reduzir o consumo de água de refrigeração em até 100% e entregar a mesma produção de IA com até 30% menos energia. São números da fabricante, sem verificação independente.
Agentes de IA e o foco em segurança
Outro eixo da palestra foi a segurança de agentes. A Nvidia apresentou a OpenShell Reference Architecture for Safe AI Agents, um desenho completo construído sobre o OpenShell, um ambiente de execução de código aberto, controlado por políticas e com isolamento (sandbox) em nível de kernel. O tema já havia aparecido em um lançamento anterior da empresa, que a Estupendo cobriu em matéria sobre a plataforma para impedir que agentes de IA fujam do controle.
A empresa também destacou a Agent Knowledge Foundation, que conecta agentes a documentos e bancos de dados corporativos. Ela inclui ferramentas Nemotron para análise de documentos, geração de embeddings e reranqueamento, além de novos modelos Kumo, que fazem previsões a partir de dados estruturados.
Entre os exemplos apresentados com o conjunto de ferramentas para agentes:
- a Lila Sciences, cujos agentes ajudam a desenhar uma possível terapia para linfoma de células B;
- a Siemens, que testa planos de produção de sua fábrica de Erlangen em um gêmeo digital;
- a Dassault Systèmes, com agentes de engenharia que refinam projetos de veículos por meio de simulação.
Modelos abertos e bibliotecas
A Nvidia listou sua família de modelos abertos, que inclui Nemotron (linguagem), Cosmos (modelos de mundo), GR00T (robótica humanoide), Alpamayo (veículos autônomos), Ising (computação quântico-clássica) e Earth-2 (IA de física). A mensagem às empresas foi que elas podem partir de um modelo aberto, como o Nemotron, e treiná-lo adicionalmente com os próprios dados. As bibliotecas CUDA-X, segundo a companhia, atendem mais de 11 milhões de desenvolvedores.
Carros autônomos e robôs
Na área de mobilidade, a plataforma Hyperion ganhou novos adeptos. A Nvidia cita a Bolt, em parceria com a Lucid, a Mercedes-Benz, a Volkswagen Veículos Comerciais e a Einride em demonstrações de mobilidade autônoma, que cobrem veículos de níveis 3 e 4 e frotas de robotáxis. A Volvo Cars adotará o Hyperion e a pilha de software Alpamayo. A van da Volkswagen e os próximos veículos de JLR, Volvo e Mercedes-Benz serão compatíveis com o Hyperion.
Na robótica, a empresa mostrou o Agile ONE SN, um humanoide de referência construído sobre o Isaac GR00T, com 31 graus de liberdade, previsto para o ano que vem. O objetivo declarado é reduzir de semanas para dias o tempo de preparação dos pesquisadores. Entre os parceiros que constroem sobre a plataforma, a Nvidia nomeia Agility Robotics, Figure, KUKA e NEURA Robotics.
Telecomunicações e saúde
Huang citou 100 mil sites e cerca de 100 gigawatts de data centers distribuídos no setor de telecomunicações. Na saúde, a empresa e a Siemens Healthineers desenvolvem uma radioterapia assistida por IA que ajusta o direcionamento em tempo real conforme o corpo e o tumor do paciente mudam.
O computador pessoal e o demo final
Os notebooks finos com RTX Spark, que a Nvidia diz oferecerem 1 petaflop de desempenho e 128 GB de memória, foram lançados na semana anterior. Huang os comparou ao DGX-1 que entregou à OpenAI em 2016. A Estupendo noticiou o lançamento em matéria sobre os laptops com chip RTX Spark. Em uma demonstração, um agente ajudou a treinar o robô Microduck, da Hugging Face: montou um percurso, simulou o robô no Isaac Sim, rodou o treinamento na nuvem e avaliou a política no RTX Spark antes de colocá-la em uso.
O que isso significa para o Brasil
As fontes consultadas não mencionam o Brasil nem a América Latina. O que a keynote mostra é a direção da empresa: vender não apenas chips, mas projetos completos de infraestrutura, de contêineres de data center a ferramentas para que agentes de IA operem com segurança. Quem acompanha o mercado de IA no Brasil, especialmente empresas que avaliam montar capacidade própria de processamento, pode usar o anúncio como indicação de como o fornecedor pretende empacotar essas soluções. Prazos e preços para o mercado brasileiro não foram informados nas fontes consultadas.
Resumo
- Evento: GTC Berlin 2026, keynote em 21 de outubro, no Tempodrom
- Principal anúncio: Vera Rubin em produção plena
- Infraestrutura: DSX POD, com implantação de 6 meses para 14 dias, segundo a Nvidia
- Agentes: OpenShell Reference Architecture e Agent Knowledge Foundation
- Robótica: Agile ONE SN, humanoide de referência previsto para 2027
- Investimento na Europa: quase US$ 10 bilhões