O Fim do Chromebook Como Categoria Isolada
O Google deu início, em 4 de outubro de 2026, à venda do Googlebook nos Estados Unidos, uma nova categoria de notebooks concebida para funcionar em torno da inteligência artificial Gemini. Um dia depois, em 5 de outubro, os aparelhos passaram a ser vendidos também no Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália.
Segundo o anúncio oficial da empresa, o Googlebook combina “o melhor do Android, que vem com apps poderosos e um SO moderno, e ChromeOS, que vem com o navegador mais popular do mundo” em um único sistema, batizado de Googlebook OS. Diferente dos Chromebooks tradicionais, os aplicativos Android passam a rodar nativamente nesse novo sistema, sem depender da camada de virtualização (ARCVM) usada até então — o que deve significar ganhos de desempenho e compatibilidade.
Do Anúncio em Maio ao Lançamento em Outubro
O conceito do Googlebook foi revelado em 12 de maio de 2026, durante o “The Android Show: I/O Edition”, o pré-show do Google I/O, junto com o lançamento do Android 17. Os detalhes completos de produto, porém, só vieram em 21 de setembro de 2026, num post oficial do blog do Google assinado por John Solomon, identificado como Vice President and General Manager de Laptops, Tablets & Android Enterprise da empresa.
Cinco Fabricantes, Preço a Partir de US$ 899
No lançamento, cinco parceiros de hardware produzem máquinas com o novo sistema: Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo. O modelo mais barato, o Acer Googlebook 14, parte de US$ 899.
Entre as especificações confirmadas pela Google estão:
- Processadores: Intel Core Ultra (linha Series 3) ou Qualcomm Snapdragon X Elite, com NPU de mais de 45 TOPS dedicados a tarefas de IA executadas localmente no dispositivo
- Memória: 16 GB de RAM na configuração-base, com variantes de até 32 GB
- Tela: touchscreen OLED de até 2,8K
- Materiais: corpo em alumínio, liga de magnésio ou fibra de carbono, dependendo do modelo
- Áudio: até seis alto-falantes com suporte a Dolby Atmos
- Design: teclado retroiluminado com uma faixa de luz batizada de “Glowbar” — uma referência direta ao antigo Pixelbook da própria Google
Pacote de Serviços Incluído
Cada Googlebook sai de fábrica com um conjunto de assinaturas incluídas por tempo limitado: 12 meses de Google AI Pro (que inclui 5 TB de armazenamento em nuvem e acesso ao Gemini Advanced), 3 meses de YouTube Premium, acesso ao Adobe Photoshop e 1 ano de GeForce NOW, serviço de jogos em nuvem da NVIDIA.
Recursos de IA no Dia a Dia
Entre as funções construídas especificamente para o novo sistema, destaca-se o Magic Pointer, recurso que usa o Gemini para oferecer sugestões contextuais quando o usuário aponta o cursor sobre elementos da tela. O aparelho também permite acessar diretamente apps e arquivos do celular Android do usuário a partir do notebook, e criar widgets personalizados por comando de voz ou texto.
Por Que Vale Acompanhar
Ao abandonar a marca Chromebook em favor de uma categoria batizada e desenhada desde o início em torno do Gemini, o Google sinaliza que considera a fusão entre Android e ChromeOS mais do que um upgrade incremental — é uma aposta em redefinir o que se espera de um notebook de entrada e meio de mercado na era da IA generativa embutida localmente nos aparelhos. A escolha de cinco fabricantes consolidados para o lançamento simultâneo em sete países, incluindo preço de entrada abaixo dos US$ 900, sugere ambição de volume, não apenas de vitrine tecnológica. Para o consumidor, a pergunta que resta é se recursos como o Magic Pointer e a integração direta com o celular vão de fato mudar hábitos de uso, ou se vão se somar à já extensa lista de funções de IA que a maioria dos usuários mal chega a testar.