Um Negócio Bilionário em Ações
A AMD anunciou, em 28 de setembro de 2026, a aquisição da World Labs, laboratório de inteligência artificial fundado pela pesquisadora Fei-Fei Li, em uma transação totalmente em ações avaliada em aproximadamente US$ 8,2 bilhões. O negócio está sujeito a aprovações regulatórias e condições de fechamento usuais para esse tipo de operação, com conclusão prevista até o fim de 2026.
Trata-se da segunda maior aquisição da história da AMD, atrás apenas da compra da fabricante de chips programáveis Xilinx, fechada por cerca de US$ 50 bilhões em 2022. O tamanho do investimento dá a dimensão da aposta da companhia na disputa com a Nvidia pelo mercado de processadores voltados à inteligência artificial.
Quem é Fei-Fei Li e o Que é a World Labs
Fei-Fei Li é uma das nomes mais respeitados da área de inteligência artificial, conhecida por liderar o projeto ImageNet na década de 2010 — trabalho considerado um marco para o avanço do aprendizado profundo aplicado à visão computacional. Antes de fundar a World Labs, ela também atuou como cientista-chefe de IA e aprendizado de máquina na divisão de nuvem do Google e dirigiu o Laboratório de Inteligência Artificial da Universidade Stanford.
A World Labs, startup sediada em São Francisco, desenvolve modelos de aprendizado profundo voltados a compreender a realidade física — uma linha de pesquisa que o mercado vem chamando de “inteligência espacial”, capaz de gerar, reconstruir e simular ambientes tridimensionais interativos a partir de texto, imagem e vídeo, com aplicações que vão da robótica a sistemas autônomos.
A relação entre as duas empresas já existia antes da aquisição: a AMD havia participado de uma rodada de financiamento de US$ 1 bilhão captada pela World Labs no início do ano, ao lado de outros investidores como a própria Nvidia e a Autodesk, que também apostou na startup.
O Novo Cargo de Fei-Fei Li na AMD
Com a conclusão do negócio, Fei-Fei Li assume o cargo de vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD, respondendo diretamente à presidente-executiva da companhia, Lisa Su. A liderança remanescente da World Labs, formada por Justin Johnson e Ben Mildenhall, deve continuar à frente da equipe técnica do laboratório dentro da estrutura da AMD.
Em comunicado sobre o acordo, Fei-Fei Li afirmou: “Agora que temos provas tangíveis das possibilidades, queremos fazer tudo o que pudermos para acelerar o futuro. Isso exige ampliar nossos esforços, expandir nosso alcance e nos aproximarmos do hardware.”
Por Que a AMD Quer um Laboratório de Pesquisa
A estratégia por trás da aquisição está ligada à disputa da AMD com a Nvidia pelo mercado de chips voltados à inteligência artificial. Ao incorporar uma equipe de pesquisa de ponta — e não apenas uma tecnologia pronta —, a companhia busca ganhar visibilidade sobre a direção que os modelos de IA devem tomar nos próximos anos, informação que alimenta diretamente o planejamento de hardware e software da empresa. Analistas do setor descrevem o movimento como uma compra voltada a talento e conhecimento de modelos, mais do que a um produto comercial imediato.
Ficha do Negócio
- Comprador: AMD (Advanced Micro Devices)
- Adquirida: World Labs
- Valor: aproximadamente US$ 8,2 bilhões, em ações
- Data do anúncio: 28 de setembro de 2026
- Novo cargo de Fei-Fei Li: vice-presidente executiva e cientista-chefe da AMD
- Previsão de conclusão: até o fim de 2026, sujeita a aprovações regulatórias
Por Que Vale Acompanhar
A compra da World Labs reforça um movimento que já vinha se desenhando no mercado de inteligência artificial: grandes fabricantes de hardware não estão mais interessadas apenas em vender chips, mas em controlar também a pesquisa que define como os modelos de IA vão evoluir — e, por consequência, que tipo de hardware será necessário para rodá-los. Ao trazer uma pesquisadora do calibre de Fei-Fei Li para dentro de casa, a AMD aposta que entender de perto o desenvolvimento de modelos de “inteligência espacial” vai ajudar a orientar decisões de design de chips com anos de antecedência, em vez de reagir a tendências já consolidadas pela concorrência. Para o mercado brasileiro de tecnologia, que acompanha de perto o avanço da infraestrutura de IA globalmente, o caso é mais um sinal de que a disputa entre AMD e Nvidia deixou de ser só sobre desempenho de chips e passou a envolver diretamente a corrida por talento e propriedade intelectual em pesquisa de ponta.