A maior retrospectiva já dedicada ao artista
A exposição Vik Muniz – A Olho Nu abre ao público na terça-feira, 27 de outubro, no CCBB Brasília, e fica em cartaz até 31 de janeiro de 2027. A entrada é gratuita. A mostra reúne cerca de 188 obras, entre fotografias, esculturas e objetos, e percorre quase quatro décadas de criação do artista. O CCBB a descreve como a maior e mais abrangente retrospectiva já dedicada à produção de Muniz. A curadoria é de Daniel Rangel.
A exposição já passou por outras três cidades antes de chegar à capital federal: Recife (Instituto Ricardo Brennand), Salvador (Museu de Arte Contemporânea da Bahia) e Rio de Janeiro (CCBB Rio). Somadas, essas etapas receberam mais de 600 mil visitantes, segundo o CCBB e a revista Dasartes.
O que está em cartaz
Muniz é conhecido por fazer imagens com materiais do cotidiano, como açúcar, feijão, chocolate, sucata, brinquedos, recortes de revista e resíduos. A mostra gira em torno da relação entre matéria e imagem e inclui os trabalhos tridimensionais do artista, que ele documentava antes de ficar conhecido pela fotografia. Segundo o CCBB, o percurso combina agrupamentos cronológicos com aproximações poéticas, visuais e contextuais entre as obras, o que permite ver continuidades e mudanças ao longo da carreira. O Brasil de Fato, por sua vez, destaca que o conjunto é organizado por afinidades, e não por uma sequência rígida de datas.
Entre as séries em destaque, de acordo com o CCBB:
- Medusa Marinara: recria a figura mitológica com alimentos e molho de tomate;
- Verso: reproduz o verso de obras famosas, mostrando etiquetas, manchas e molduras que normalmente ficam escondidas. Entre as obras citadas estão o Abaporu, de Tarsila do Amaral, a Gioconda, de Leonardo da Vinci, e Noite Estrelada, de Van Gogh;
- Principia: objetos comuns vistos por um visor estereoscópico, em imagens que lembram fenômenos científicos;
- Colônias: feita com o biólogo Tal Danino durante uma residência no MIT, usa células vivas organizadas e registradas por microscopia;
- Relicário: esculturas que combinam formas familiares e materiais inesperados, na fase em que a fotografia passa a ter papel central no trabalho do artista.
Quem é Vik Muniz
Segundo o CCBB, Vik Muniz nasceu em São Paulo, em 1961, e tem ateliês no Rio de Janeiro, em Nova York e em Salvador. Suas obras fazem parte de coleções como as do Centre Pompidou, do Museo Reina Sofía, do Guggenheim, da Tate, do MAM de São Paulo e do MASP. O artista foi nomeado Embaixador da Boa Vontade da Unesco.
Uma parte importante da trajetória dele é o trabalho com catadores no aterro de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, que deu origem ao documentário Lixo Extraordinário, indicado ao Oscar.
Serviço
- Onde: galerias 1 e 2 do CCBB Brasília, no SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Presidente Tancredo Neves, Setor de Clubes Especial Sul
- Quando: de 27 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027, de terça a domingo, das 9h às 21h
- Quanto: gratuito, com retirada de ingressos no site ccbb.com.br/brasilia ou na bilheteria do CCBB Brasília
- Classificação indicativa: livre
- Telefone: (61) 3108-7600
Transporte gratuito até o CCBB
O CCBB mantém o programa Vem pro CCBB, um transporte gratuito que liga a Biblioteca Nacional ao centro cultural de quinta a domingo. As saídas da Biblioteca Nacional acontecem das 13h às 20h, em horas cheias, e as do CCBB, das 13h30 às 21h30, na metade de cada hora.
Uma observação sobre as datas
A página do CCBB informa o encerramento em 31 de janeiro de 2027, data que também aparece no Brasil de Fato e na Dasartes. Como as programações de centros culturais podem ser ajustadas, vale conferir o site antes de planejar a visita para o fim do período.
Outras opções culturais em Brasília nesta semana
O Brasil de Fato reuniu, em levantamento de 23 de outubro, outras atrações no Distrito Federal para o fim de semana e os dias seguintes:
- Buraco do Jazz: shows de despedida, gratuitos, no Centro Cultural Três Poderes, de 22 a 24 de outubro, após dez anos de atividade, com feira de artesanato e um tributo a Tim Maia feito pelo grupo Encontro Racional;
- Danúbio Azul: sessões gratuitas de teatro no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga, nos dias 23 e 24 de outubro, às 20h;
- Futuro do Passado: peça no Museu Nacional da República, em cartaz até 24 de outubro, às 20h, com ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia);
- Sarau Cultural “Abre-te, Sábado!”: evento gratuito em Sobradinho, no dia 24 de outubro, das 13h às 19h, com música, poesia e feira de artesanato;
- Barraca de Memórias: atividades gratuitas no Guará a partir de 27 de outubro, que recolhem histórias de mulheres idosas que ajudaram a construir Brasília, com exibições até 19 de novembro.
Como a lista foi publicada antes do fim de semana, algumas dessas atividades já terão terminado quando a mostra de Vik Muniz abrir.
Por que a mostra importa
Para quem acompanha artes visuais, a retrospectiva é uma chance de ver reunidas, em um mesmo espaço e sem custo, séries que costumam circular separadamente. Para quem chega sem muita bagagem, o apelo está na própria matéria dos trabalhos: sucata, comida e brinquedos que se transformam, ao olhar do visitante, em imagens reconhecíveis. É esse jogo entre o que se vê de perto e o que se reconhece de longe que o título da mostra, A Olho Nu, sugere.