Tom Zé Faz 90 Anos e Ganha Exposição Interativa e Gratuita na Caixa Cultural São Paulo
🎭 Cultura

Tom Zé Faz 90 Anos e Ganha Exposição Interativa e Gratuita na Caixa Cultural São Paulo

A mostra Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons fica em cartaz até 13 de dezembro, com réplica do buzinório, quiz sobre a carreira e espaço para deixar mensagens ao artista.

Editor

Um Aniversário Celebrado com Exposição

O cantor e compositor Tom Zé completou 90 anos no domingo, 11 de outubro, e a data ganhou uma homenagem à altura de sua obra experimental. A Caixa Cultural São Paulo, na Praça da Sé, recebe até 13 de dezembro a exposição Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons, de entrada gratuita. A curadoria é de Neuseli Martins.

A mostra foi descrita pela Agência Brasil como sensorial e interativa. A ideia, segundo a curadora, é que o visitante não apenas observe os objetos, mas experimente ambientes que remetem a momentos da vida do artista.

O Que o Visitante Encontra

O percurso é dividido em espaços temáticos. Entre eles:

  • um espaço dedicado às referências musicais e literárias que formaram o repertório de Tom Zé;
  • registros da vitória no festival de 1968 com a canção São Paulo, Meu Amor;
  • um quiz interativo sobre a trajetória do artista;
  • uma réplica do buzinório, instrumento criado por ele, que o público pode tocar;
  • um local para escrever mensagens ao homenageado;
  • a recriação de um ambiente doméstico e de espaços que mostram como ele inventa instrumentos e explora sons.

O próprio Tom Zé visitou a exposição e, de acordo com a reportagem, disse que o trabalho detalhado o fez se sentir criança outra vez. Já o instrumentista Jarbas Mariz, que trabalhou com ele por 32 anos, lembrou da parceria destacando a exigência do artista com a pontualidade e o uso pioneiro de materiais pouco convencionais na música.

Da Bahia à Tropicália

Antônio José Santana Martins nasceu em Irará, na Bahia, em 11 de outubro de 1936. Na adolescência aprendeu violino e, em 1964, entrou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, onde estudou com nomes como Hans-Joachim Koellreutter e Ernst Widmer. Por volta de 1968, a convite de Caetano Veloso, mudou-se para São Paulo.

Naquele ano, venceu o IV Festival de Música Popular Brasileira da TV Record com São Paulo, Meu Amor e participou do disco-manifesto Tropicália: ou Panis et Circenses, ao lado de Caetano, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes e Nara Leão. Também em 1968 lançou o primeiro álbum solo, Grande Liquidação.

Experimentação e Reconhecimento Tardio

Depois da repressão do governo militar a músicos ligados ao tropicalismo, Tom Zé seguiu investindo em instrumentos e formas de composição pouco usuais, mas saiu do centro das atenções nas décadas de 1970 e 1980. Sua obra dessa fase inclui Todos os Olhos (1973) e Estudando o Samba (1976), disco que mais tarde chamaria a atenção de David Byrne.

Byrne levou o artista para o selo Luaka Bop, o que revitalizou o perfil internacional do brasileiro ao longo dos anos 1990. Entre os lançamentos seguintes aparecem Com Defeito de Fabricação (1998), que, segundo a Wikipédia em português, o jornal The New York Times incluiu entre os dez melhores discos da década, Postmodern Platos (1999), Estudando o Pagode (2005) e Canções Eróticas de Ninar (2016).

A obra costuma ser descrita como experimental e influenciada pelo dadaísmo, misturando samba, bossa nova, forró e rock. Ele usa objetos pouco usuais, como máquinas de escrever, e já trabalhou com poetas concretos como Augusto de Campos. Em 2011, gravou com a banda Javelin a faixa Ogodô, Ano 2000, para a coletânea Red Hot+Rio 2. Desde 2022, é membro da Academia Paulista de Letras.

Por Que Vale a Visita

A exposição une o que há de mais característico em Tom Zé: o humor, a invenção de instrumentos e a vontade de fazer da música um laboratório. Em vez de vitrines silenciosas, a mostra convida a tocar, responder e escrever, o que combina com um artista que, aos 90 anos, segue criando. Como a entrada é gratuita e a temporada vai até meados de dezembro, há tempo para planejar a ida. Vale conferir os horários de funcionamento diretamente com a Caixa Cultural antes de sair de casa.