Um clube de leitura sobre romance histórico
O escritor Joaquim Arena participou do clube de leitura do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, às 17h30. O tema da conversa, gratuita, foi romance histórico: onde a realidade encontra a ficção. O encontro girou em torno de memória, pertencimento, identidade e heranças coloniais, segundo reportagem da Agência Brasil assinada por Ana Cristina Campos.
A reportagem não informa quem mediou a sessão nem se houve outros convidados. O foco do texto está na obra de Arena e na forma como ele usa a ficção para tratar de uma história pouco contada: a presença de africanos e afrodescendentes na Europa.
Quem é Joaquim Arena
Arena nasceu em 1964 na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, filho de pai português e mãe cabo-verdiana. Estudou direito em Portugal, trabalhou como jornalista e hoje vive na Praia, capital cabo-verdiana. Segundo a Wikipédia, também é músico, dirigiu a revista África Hoje e fundou, em 1998, o semanário O Cidadão, em Mindelo.
A bibliografia, conforme a mesma enciclopédia, inclui:
- A verdade de Chindo Luz (2006, Oficina do Livro)
- Para Onde Voam as Tartarugas (2010, Caminho)
- Debaixo da Nossa Pele (2017, INCM)
- Siríaco e Mister Charles (2022, Quetzal Editores)
- O Sabor da Água da Chuva e Outras Memórias da Amiga Perfeita (2023, INCM)
Siríaco e Mister Charles ganhou o Prêmio Oceanos de Literatura de 2023, na categoria prosa. O Sabor da Água da Chuva recebeu, em 2022, o Prêmio Literário Arnaldo França. Debaixo da Nossa Pele foi traduzido para o chinês, em 2022, e para o inglês, com o título Under Our Skin, a Voyage, em 2023, pela editora Unnamed Press.
O que é o Prêmio Oceanos
O Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa, que Arena levou em 2023, foi criado em 2003 pela Portugal Telecom e ganhou o nome atual depois que a Altice comprou a empresa. Hoje é gerido pelo Itaú Cultural, com apoio do Itaú, do Instituto Cultural Vale e da direção do livro do governo português, segundo a Wikipédia.
No início, só autores brasileiros podiam concorrer. Em 2007, o regulamento passou a incluir autores de todos os países de língua portuguesa, com obras publicadas em qualquer lugar. Na edição de 2023, o prêmio de prosa foi para Arena, por Siríaco e Mister Charles, e o de poesia para a brasileira Prisca Agustoni, por O gosto amargo dos metais.
O livro no centro da conversa
A Agência Brasil destaca Debaixo da nossa pele, de 2017. Segundo a reportagem, o livro trata da presença de africanos e afrodescendentes na Europa a partir de viagens por Portugal, de arquivos e de relatos. Arena reconstrói a trajetória de personagens negros pouco conhecidos e a cruza com a migração de cabo-verdianos para Lisboa e com a própria biografia.
A reportagem não detalha enredo, personagens históricos específicos nem o período coberto. O que fica claro é o método: o autor parte de fatos históricos verificados e procura os espaços em branco entre eles. É nesses vazios, na descrição dele, que a ficção entra.
Arena explica que o livro fala de uma condição humana, o deslocamento de pessoas de um país para outro por razões econômicas, sociais e políticas. Sobre a migração hoje, ele a avalia como um movimento que continua, que considera positivo e que abre novas possibilidades de vida para muita gente.
Cabo Verde e Brasil
Um dos eixos da conversa foi o paralelo entre os dois países. A reportagem registra que Cabo Verde e Brasil passaram por deslocamentos de populações, encontros culturais e pelas relações entre África e Europa, e que o leitor brasileiro tende a reconhecer semelhanças com a formação do próprio país nos livros de Arena.
O escritor também contou como chegou à literatura brasileira. Aos 12 anos, descobriu a produção do país por meio de Jorge Amado, e depois se aproximou de autores como Guimarães Rosa, José Lins do Rego e Graciliano Ramos. Ele também se identificou com Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos.
Serviço
- Evento: clube de leitura sobre romance histórico: onde a realidade encontra a ficção
- Convidado: Joaquim Arena
- Local: Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro
- Data e hora: quarta-feira, 14 de outubro de 2026, às 17h30
- Entrada: gratuita