Mais gente fora de casa
Os brasileiros estão frequentando mais atividades culturais presenciais. É o que aponta a 7ª edição da pesquisa Hábitos culturais dos brasileiros, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, e noticiada pelo jornal Estado de Minas em 13 de outubro de 2026.
Os dados foram coletados entre 7 e 20 de julho de 2026, com 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O número geral é o seguinte: 88% dos entrevistados participaram de pelo menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores, contra 84% na edição de 2025. Entre quem saiu de casa, 59% o fez ao menos uma vez por mês. Além disso, 54% disseram ter lido um livro impresso no período.
O que cresceu
A pesquisa compara quatro tipos de atividade presencial entre 2025 e 2026:
| Atividade | 2025 | 2026 |
|---|---|---|
| Shows de música | 45% | 51% |
| Centros culturais | 26% | 32% |
| Museus | 16% | 21% |
| Exposições de arte | 27% | 31% |
Shows de música e centros culturais subiram seis pontos percentuais cada. Museus, que partem de um patamar mais baixo, subiram cinco pontos, de 16% para 21%, e exposições de arte subiram quatro.
A coordenadora do Observatório Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, chamou o aumento do acesso presencial de “surpresa positiva”. Segundo a reportagem, ela disse: “Como surpresa positiva, destaco o aumento no acesso às atividades presenciais”. Ela afirmou ainda que “arte e cultura continuam desempenhando um papel fundamental na rotina dos brasileiros”.
Novas categorias em 2026
Esta edição incluiu itens que não eram medidos antes e que ajudam a ampliar o retrato do que o brasileiro entende como cultura:
- Sítios do patrimônio histórico: 39% visitaram algum nos 12 meses anteriores.
- Espaços comunitários: 38%.
- Rodas de pagode, samba ou choro: 30%.
- Bailes funk: 9%.
A pesquisa também passou a incluir os pontos de cultura, mas a reportagem não informa o percentual correspondente.
Os números mostram que as rodas de samba e choro alcançam mais do que o triplo do público dos bailes funk. É uma leitura direta da tabela, que não explica as razões da diferença. Idade, renda e localização dos entrevistados podem pesar, mas isso a pesquisa, como divulgada, não detalha.
A desigualdade continua
O avanço convive com um abismo social. No cinema, 63% das pessoas das classes A e B foram a uma sala nos 12 meses anteriores. Entre as classes D e E, o índice foi de 18%.
A participação presencial, em geral, é maior entre quem tem ensino superior e entre as classes A e B. Entre os fatores que dificultam o acesso, a reportagem cita dinheiro e insegurança. Cardoso afirmou que “precisamos de mecanismos para combater as desigualdades no acesso às atividades artísticas e culturais”.
Perguntados sobre o que poderia ampliar a participação, 42% citaram a criação ou a ampliação de programas gratuitos. Quase um terço mencionou mais equipamentos culturais públicos e a reforma ou modernização dos já existentes.
Uma série histórica curta
A pesquisa começou em 2020, em plena pandemia de covid-19, quando a vida cultural migrou para o ambiente digital. A edição de 2022 acompanhou a reabertura dos espaços culturais. A partir de 2023, o levantamento passou a medir de forma sistemática o acesso à cultura no país.
Por isso, é possível comparar de modo consistente os anos recentes, mas a série ainda não permite falar em tendência de longo prazo. Seis pontos percentuais em um ano em shows de música podem refletir uma agenda mais cheia de turnês em 2026 ou a retomada de hábitos, e a pesquisa, como divulgada, não separa essas causas.
O que isso significa para quem produz e para quem frequenta
Os dados interessam a quem organiza eventos, gerencia museus e formula políticas culturais. Se o público presencial cresce, mas continua concentrado nas classes mais altas e nas pessoas com ensino superior, a expansão de programas gratuitos, defendida por 42% dos entrevistados, aparece como uma das saídas apontadas pelo público.
Há também um recado para o debate sobre o que conta como cultura. Ao incluir rodas de samba, bailes funk e espaços comunitários, o levantamento reconhece práticas que ficavam de fora de estatísticas mais tradicionais, concentradas em teatro, museu e cinema.
Vale ressaltar o limite do material: os números vêm de uma reportagem sobre a pesquisa, e não do relatório completo. Metodologia detalhada, recortes regionais e perguntas literais estão com o Observatório. Quem quiser aprofundar deve consultar a publicação original do estudo.