Burle Marx - Expedição Amazônia: Mostra em Belém Revela o Lado Cientista do Paisagista
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Burle Marx - Expedição Amazônia: Mostra em Belém Revela o Lado Cientista do Paisagista

O Centro Cultural Banco da Amazônia inaugurou em Belém a exposição que reúne cadernos de campo, fotografias e materiais inéditos da expedição de 1983 de Roberto Burle Marx pela Amazônia.

Editor

Um Burle Marx Pouco Conhecido

Quando se fala em Roberto Burle Marx (1909-1994), a imagem que vem à cabeça costuma ser a dos jardins modernistas que ele projetou por todo o Brasil e o mundo, do calçadão de Copacabana a parques em Caracas e Nova York. A exposição “Burle Marx – Expedição Amazônia”, inaugurada em 22 de setembro de 2026 no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, propõe olhar para uma faceta menos divulgada do paisagista: a de colecionador, pesquisador de campo e um dos primeiros defensores da biodiversidade brasileira.

A mostra fica em cartaz até 17 de janeiro de 2027, com visitação gratuita de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h. O centro cultural fica na Avenida Presidente Vargas, 800, no bairro da Campina.

O Que Está Exposto

O núcleo da exposição são materiais do acervo do Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro — reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial —, com destaque especial para a expedição que o paisagista fez à Amazônia em 1983. Entre os itens reunidos estão:

  • Cadernos de campo com anotações e desenhos feitos durante as viagens
  • Fotografias originais das expedições
  • Registros audiovisuais de época
  • Documentos e materiais até então inéditos ao público

A curadoria técnica é assinada por Rafael Zamorano Bezerra, chefe da Divisão Técnica do Sítio Roberto Burle Marx, que também conduziu visitas mediadas abertas ao público em 23 de setembro, às 10h e às 14h, na Galeria 1 do centro cultural. Uma palestra complementar, “Roberto Burle Marx – O Sítio e suas coleções”, está marcada para 24 de setembro, às 11h, no mesmo espaço.

Produção e Contexto

A exposição foi selecionada pelo I Edital de Ocupação do Centro Cultural Banco da Amazônia 2026-2027 e tem produção executiva do Instituto Sotaques. O centro cultural que a recebe é relativamente novo: funciona como parte do investimento do Banco da Amazônia em espaços culturais na capital paraense, num movimento que ganhou força nos últimos anos em torno da pauta ambiental amazônica.

Ciência, Arte e Debate Ambiental

O recorte escolhido pela mostra — Burle Marx como expedicionário e pesquisador, não apenas como artista — dialoga diretamente com um momento em que a Amazônia volta a ocupar posição central nas discussões públicas brasileiras, tanto pela pauta da preservação ambiental quanto pelo crescente interesse em iniciativas culturais fora do eixo Rio–São Paulo.

Burle Marx dedicou parte da vida a catalogar espécies vegetais amazônicas até então pouco estudadas, muitas das quais incorporou depois a seus próprios projetos paisagísticos. Reunir esse material em Belém, e não no Rio de Janeiro, também é uma escolha simbólica: aproxima o acervo do território que o inspirou e o disponibiliza a um público que raramente tem acesso a esse tipo de documentação de primeira mão.

Por Que Vale a Visita

Para quem se interessa por história da arte brasileira, a exposição oferece uma camada pouco explorada do trabalho de um dos paisagistas mais influentes do século 20 — não o resultado final dos jardins, mas o processo de observação e coleta que os sustentou. Já para o público paraense, a mostra chega como uma das principais atrações culturais gratuitas da temporada, num momento em que Belém segue investindo em equipamentos culturais após o período de maior visibilidade internacional trazido pela COP30.

Com entrada franca e mais de três meses de duração, a exposição tem tempo de sobra para quem quiser conferir de perto os cadernos de campo e fotografias que documentam um Burle Marx menos conhecido, mas igualmente relevante para entender sua obra.