Despedida de um dos nomes do samba paulistano
O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu aos 84 anos no domingo, 18 de outubro de 2026, em São Paulo. Segundo a Itatiaia, que cita nota da equipe do artista à CNN Brasil, a causa foi um câncer de próstata, enfrentado havia cerca de um ano. O site da Itatiaia informa que ele passou mal no fim da tarde, foi levado ao Hospital Nove de Julho pelo filho Rodrigo Vellozo e não resistiu.
O velório aconteceu na terça-feira, 20 de outubro, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, no centro da capital, aberto ao público para que fãs, amigos e admiradores se despedissem. O sepultamento estava previsto para as 17h, no Cemitério do Morumby, em cerimônia restrita à família.
De Nova Friburgo ao Brasil inteiro
Benito di Paula nasceu Uday Vellozo em Nova Friburgo (RJ), em 28 de novembro de 1941. Filho do ferroviário José Vellozo e de Maria Schwenck, cresceu em uma família de 12 irmãos em que se cantava e se tocava em casa. O pai tocava piano, bandolim e violão e foi o primeiro contato do filho com a música, segundo a Wikipédia. Autodidata, Uday começou a cantar ainda adolescente no Hotel Avenida, no centro de Nova Friburgo. Ali, junto com Alfredo Motta, escolheu o nome artístico Benito, ao qual acrescentou o “di Paula” para dar um tom italiano.
Aos 17 anos serviu ao Exército no Rio de Janeiro. Nos anos 1960, trabalhou como crooner em boates cariocas, como a Balalaika, em Copacabana, e depois passou a cantar e tocar piano em Santos e em São Paulo, onde se apresentou na Catedral do Samba, no Bixiga. Em 1956, havia gravado a composição “Final” com Portinho e sua Orquestra.
O sucesso dos anos 1970
O primeiro LP, Benito di Paula, saiu pela Copacabana em 1971. Segundo a Wikipédia, a inclusão de “Apesar de Você”, de Chico Buarque, levou ao recolhimento do disco durante a ditadura militar. Em 1972 veio Ela, e em 1973 “Retalhos de Cetim” foi lançada em compacto e incluída em Um Novo Samba. A canção se tornou seu maior sucesso, de acordo com o SBT News.
A partir daí, a lista de sambas que o público sabe de cor cresce:
- “Charlie Brown”, de 1974, lançada no álbum ao vivo
- “Mulher Brasileira”, de 1975 (compacto)
- “Do Jeito Que a Vida Quer”, de 1976, regravada pelo Grupo Revelação em 2002
- “Osso Duro de Roer”, de 1977
Em 1976, recebeu o Troféu Imprensa de melhor cantor. Segundo a Wikipédia, ele vendeu mais de 50 milhões de discos ao longo da carreira, número que não pudemos confirmar em outra fonte.
Televisão e mundo afora
Benito também esteve na TV. Teve músicas em trilhas de novelas e apresentou, em 1975, o programa Brasil Som 75, na TV Tupi, em São Paulo. No mesmo ano integrou a delegação brasileira no MIDEM, em Cannes, ao lado de nomes como Paulinho da Viola, Gilberto Gil e Jorge Ben Jor. Em 1978, gravou um disco em espanhol, Caprichos de la vida, pela Epic.
Os últimos anos
Depois de 1996, com o álbum Baileiro, ficou 13 anos sem lançar um disco de estúdio, mas seguiu fazendo shows. Em 2009, gravou seu primeiro DVD, no Vivo Rio. Em 2016 lançou o EP Essa Felicidade É Nossa e, no ano seguinte, o álbum de mesmo nome.
Em 28 de novembro de 2021, quando completou 80 anos, lançou com o filho Rodrigo o álbum O Infalível Zen. Em 2022 veio Benito 80: Novo Samba Sempre Novo, com regravações de artistas como João Bosco e Teresa Cristina. Em 2023, pai e filho lançaram o EP Do Jeito Que a Vida Quer. A escola de samba Águia de Ouro desenvolveu um enredo em sua homenagem para o Carnaval de 2025, e ele participou do desfile. Em julho de 2026, Rodrigo lançou o álbum Benito Di Paula, com canções do pai.
Família
Segundo o SBT News, Benito deixa dois filhos, Rodrigo e Thiago Vellozo, e duas netas, filhas de Rodrigo. A Wikipédia registra ainda que o cantor teve um terceiro filho, André, que morreu em 2019.
Um legado de samba-canção
Benito di Paula foi um dos grandes nomes do samba nos anos 1970, época em que se firmou como um dos principais representantes do gênero em São Paulo, de acordo com o SBT News. Suas músicas foram gravadas por cantores brasileiros e de outros países. Para quem quiser revisitar a obra, o caminho natural é começar por Um Novo Samba e pelo álbum ao vivo de 1974, onde estão “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”, e seguir até os discos que fez com o filho já nos anos 2020.