O Sertão Como Ponto de Partida
A exposição Atlântico Sertão, organizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), abre nesta terça-feira, 29 de setembro, no Museu de Arte da Bahia (MAB), na Avenida Sete de Setembro, no Corredor da Vitória, em Salvador. A mostra fica em cartaz até 29 de janeiro de 2027, com visitação de terça a domingo, das 10h às 18h, e entrada gratuita.
O projeto reúne obras de mais de 80 artistas, em sua maioria oriundos das regiões Norte e Nordeste do Brasil. A curadoria é assinada por Marcelo Campos, como curador-chefe, em parceria com Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade.
Um Verso de Guimarães Rosa Como Fio Condutor
O ponto de partida conceitual da mostra é o verso “O sertão está em toda parte”, de Guimarães Rosa, retirado de Grande Sertão: Veredas, e a pesquisa acadêmica de Marina Maciel. A curadoria propõe transformar “a arte em instrumento de memória e elaboração crítica, em diálogo com os conceitos simbólicos de ‘Atlântico’ e ‘Sertão’”, revisitando esses dois territórios “como espaços de criação, circulação de saberes, resistência e defesa dos direitos humanos”.
A exposição está dividida em seis núcleos curatoriais temáticos, que percorrem heranças indígenas, africanas e populares por meio de diferentes suportes: pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações.
De São Paulo à Bahia
Atlântico Sertão não é uma mostra inédita: antes de chegar a Salvador, o projeto já havia passado por São Paulo, onde reuniu mais de 70 mil visitantes. A itinerância reforça um movimento comum a exposições do CCBB, que costumam circular por diferentes unidades do centro cultural pelo país antes de encerrar temporada.
Em Salvador, a mostra ocupa o Museu de Arte da Bahia porque o CCBB Salvador ainda não tem sede própria em funcionamento: a instituição opera de forma itinerante desde a assinatura, em 2024, de um protocolo de intenção entre o Banco do Brasil e o Governo da Bahia para a criação de uma unidade fixa no Palácio da Aclamação, no centro histórico da cidade. Enquanto o prédio passa por reforma de ampliação e modernização, o CCBB Salvador segue firmando parcerias com espaços culturais já existentes na capital baiana para sediar sua programação, como é o caso do MAB nesta exposição.
Artistas Baianos em Destaque
Entre os nomes que integram a mostra estão artistas de diferentes gerações e trajetórias ligados à Bahia, com obras inéditas produzidas especialmente para o projeto. A curadoria também deu atenção à presença de comunidades afrodescendentes e indígenas entre os participantes, buscando ampliar o recorte geográfico do que costuma ser mostrado em grandes exposições de arte contemporânea no eixo Rio-São Paulo.
Ficha Rápida
- Data: 29 de setembro de 2026 a 29 de janeiro de 2027
- Local: Museu de Arte da Bahia, Corredor da Vitória, Salvador
- Artistas: mais de 80, majoritariamente do Norte e Nordeste
- Curadoria: Marcelo Campos (curador-chefe) e equipe
- Entrada: gratuita
- Horário: terça a domingo, das 10h às 18h
Por Que Vale Acompanhar
Ao levar para o Museu de Arte da Bahia uma exposição pensada a partir da ideia de que “o sertão está em toda parte”, o CCBB aposta em uma leitura do território brasileiro que foge do eixo Rio-São Paulo e coloca artistas do Norte e do Nordeste no centro da conversa sobre arte contemporânea nacional. O fato de a mostra já ter atraído um público expressivo em sua passagem por São Paulo sugere que o projeto tem apelo além do circuito especializado, algo relevante numa cidade como Salvador, que ainda aguarda a reforma de sua futura sede própria do CCBB. Para o público baiano, a chegada da exposição ao MAB também amplia, ainda que temporariamente, a programação de um museu que vem passando por um processo de reposicionamento institucional nos últimos anos.