Uma Mostra que Viaja pelo Brasil
A 36ª Bienal de São Paulo abriu sua itinerância em Belo Horizonte na noite de sexta-feira, 2 de outubro, às 19h, no Palácio das Artes. A exposição reúne aproximadamente 80 obras de 21 artistas, em linguagens que vão de pintura e escultura a fotografia, instalação, vídeo e performance, e fica em cartaz até 6 de dezembro, com entrada gratuita.
O evento em Belo Horizonte é fruto de uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado, que administra o Palácio das Artes, e a Fundação Bienal de São Paulo. A relação entre as duas instituições já soma 15 anos: desde 2011, quando o espaço recebeu a 29ª edição da Bienal, Belo Horizonte se tornou parada fixa do programa de itinerâncias, e a abertura desta semana marca a oitava vez consecutiva que o Palácio das Artes recebe uma versão itinerante da mostra paulista.
O Tema: Humanidade Como Prática
A edição de 2026 da Bienal leva o título “Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade Como Prática”, inspirado em versos da escritora mineira Conceição Evaristo. A curadoria é assinada por uma equipe ampla, liderada pelo curador-geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung — também diretor e curador-chefe da Haus der Kulturen der Welt (HKW), em Berlim —, com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, a cocuradora at large Keyna Eleison e os cocuradores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei.
Segundo o conceito divulgado pela organização, a mostra trata a humanidade como um verbo, uma prática viva, e se organiza em torno de eixos como pertencimento, memória e cuidado — explorando relações entre pessoas, territórios e gerações, com temas que atravessam desde crises climáticas até herança da diáspora africana.
O Que Esperar nas Galerias de BH
Em Belo Horizonte, a exposição ocupa cinco galerias do Palácio das Artes, entre elas a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard. Entre os destaques do recorte que chega à capital mineira estão obras da pintora mineira Maria Auxiliadora, e um projeto que cruza música e artes visuais: o ex-baterista do Sepultura, Iggor Cavalera, aparece em colaboração com músicos indígenas do povo Xavante.
Serviço
- Local: Palácio das Artes — Avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte
- Período: 3 de outubro a 6 de dezembro de 2026 (abertura para convidados em 2 de outubro)
- Horários: terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 17h às 21h
- Entrada: gratuita
Parte de uma Rede Nacional de Itinerâncias
A chegada da mostra a Belo Horizonte não é um caso isolado: a 36ª Bienal de São Paulo também circula por outras cidades brasileiras e do exterior ao longo de 2026, em formato de itinerância, levando recortes da exposição original — que ocupou o Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 — para públicos que não têm acesso fácil à capital paulista.
Esse modelo de circulação é parte da estratégia de longo prazo da Fundação Bienal de São Paulo para ampliar o alcance de uma das mostras de arte contemporânea mais importantes da América Latina, driblando a concentração geográfica que costuma marcar grandes eventos culturais no Brasil. Para Belo Horizonte, a parceria de 15 anos com o Palácio das Artes consolidou a capital mineira como um dos destinos mais constantes desse circuito, ao lado de outras praças que recebem itinerâncias da Bienal, como Recife, que neste momento também exibe um recorte dedicado ao cineasta Zózimo Bulbul.
Por Que Vale Acompanhar
Com entrada gratuita e um recorte generoso de 80 obras assinadas por 21 artistas, a itinerância da 36ª Bienal em Belo Horizonte oferece ao público mineiro acesso a um projeto curatorial que discute pertencimento, memória e cuidado a partir de uma rede internacional de curadores — sem a necessidade de viagem a São Paulo. A presença de nomes como Maria Auxiliadora, ligada à própria história de Minas Gerais, e o cruzamento inesperado entre Iggor Cavalera e músicos Xavante reforçam como a versão itinerante não é apenas uma versão reduzida da mostra original, mas também incorpora diálogos específicos com o território que a recebe. Com quase dois meses de exposição até 6 de dezembro, a programação dá tempo de sobra para quem quiser conferir de perto uma das principais mostras de arte contemporânea do país.