Uma Sátira Sobre Herança, Hipocrisia e Violência
Rosebush Pruning, novo longa do cineasta cearense Karim Aïnouz, chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira, 15 de outubro, com distribuição da Filmes do Estação. A produção tem 1h36 de duração, é falada em inglês e nasceu de uma coprodução entre Alemanha, Itália, Reino Unido e Espanha.
O roteiro é de Efthimis Filippou, e a trama gira em torno de uma família americana privilegiada, vivendo de herança. O ponto de ruptura é a decisão do irmão mais velho, Jack, de ir embora para morar com a namorada, Martha. A partir daí, segredos enterrados vêm à tona e os laços familiares se deterioram até a violência. A descrição da AdoroCinema resume o filme como uma sátira sombria sobre hipocrisia e valores sociais. Na Wikipédia, ele aparece como uma comédia de humor negro sobre uma família rica e perversa, ambientada na Catalunha.
Elenco e Ficha Técnica
- Direção: Karim Aïnouz
- Roteiro: Efthimis Filippou
- Elenco: Riley Keough (Anna), Callum Turner (Ed), Elle Fanning (Martha), Jamie Bell (Jack), Pamela Anderson (a mãe), Tracy Letts (o pai) e Lukas Gage (Robert)
- Distribuição no Brasil: Filmes do Estação
- Estreia: 15 de outubro de 2026
Da Berlinale às Salas Brasileiras
A estreia mundial aconteceu na 76ª edição do Festival de Berlim, em 14 de fevereiro de 2026, um sábado. O filme integrou a competição principal pelo Urso de Ouro, mas saiu sem prêmios oficiais: o troféu ficou com Yellow Letters, de İlker Çatak, num festival presidido pelo diretor alemão Wim Wenders e realizado entre 12 e 22 de fevereiro.
Depois disso, o filme seguiu para o circuito comercial. Segundo a Wikipédia, estreou na Alemanha em 23 de abril e no Reino Unido em 10 de julho, com distribuição da Mubi. O Brasil o recebe agora, numa semana em que o circuito também ganha Contos Paralelos, de Asghar Farhadi, e o documentário Musk, de Alex Gibney.
Filmado na Catalunha em 35 Dias
As filmagens ocorreram na Espanha entre 26 de setembro e 9 de novembro de 2024, num total de 35 dias de gravação, com locações em Castellterçol, na Catalunha, e em Barcelona. A produção reuniu empresas de vários países, entre elas The Apartment Pictures, Match Factory e a própria Mubi.
A Herança de Bellocchio
Rosebush Pruning é descrito como livremente baseado em Fists in the Pocket, de Marco Bellocchio, lançado em 1965. O clássico italiano acompanha quatro irmãos que vivem com a mãe viúva e cega. Alessandro, o protagonista, enojado com a disfunção da família, planeja matar os parentes para libertar o irmão mais velho. O filme ganhou a Vela de Prata no Festival de Locarno de 1965, o Nastro d’Argento de melhor história original em 1966 e ficou em décimo lugar na lista anual de melhores do ano da revista Cahiers du Cinéma. É lembrado como uma das estreias mais impressionantes da história do cinema e ainda como um filme que rompeu com a tradição neorrealista italiana.
A comparação ajuda a situar o filme: nos dois casos, o foco é uma família que se devora por dentro, e no longa de Aïnouz a riqueza herdada fica no centro da história.
Quem É Karim Aïnouz
Nascido em Fortaleza, em 17 de janeiro de 1966, Aïnouz é um dos cineastas brasileiros de maior projeção internacional. Sua filmografia inclui Madame Satã (2002), O Céu de Suely (2006), Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009), O Abismo Prateado (2011), Praia do Futuro (2014), A Vida Invisível (2019), Firebrand (2023) e Motel Destino (2024).
A Vida Invisível levou o prêmio da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2019, e o documentário Aeroporto Central recebeu o prêmio da Anistia Internacional na Berlinale de 2018. Ele também tem dois prêmios Grande Otelo de roteiro original.
Recepção da Crítica
A recepção internacional foi fria. Segundo os números reunidos na Wikipédia, o filme tem 17% de aprovação no Rotten Tomatoes, a partir de 53 críticas, e nota 46 em 100 no Metacritic, com base em 11 resenhas, o que a plataforma classifica como avaliações mistas ou medianas. A bilheteria registrada até agora é de US$ 83.818. São números de um filme de nicho, que depende de um público disposto a encarar humor ácido e desconforto.
Vale Ver na Tela Grande?
Para quem acompanha o cinema de Aïnouz, a estreia tem interesse por si só: é a chance de ver, em sala brasileira, o diretor trabalhando com um elenco internacional e com um roteiro assinado por Efthimis Filippou. Para quem prefere comédias mais leves, o aviso é claro, porque o próprio material de divulgação fala em hipocrisia, segredos e violência. Os horários e as salas variam por cidade e devem ser consultados nos cinemas.