Mais de um Século de Rivalidade em 84 Minutos
O clássico entre Grêmio e Internacional, um dos confrontos mais antigos e apaixonados do futebol brasileiro, ganhou seu próprio longa-metragem. GRENAL: O Maior Clássico das Américas estreou nos cinemas em 17 de setembro, revisitando mais de cem anos de história entre os dois clubes gaúchos.
O documentário tem 84 minutos de duração e é dirigido pelo carioca Belisario Franca ao lado dos gaúchos Tatiana Sager e Renato Dornelles, este último responsável pela direção adicional. O roteiro é assinado por Leo Garcia, a fotografia por Gabriel Sager, a montagem por Felipe David Rodrigues e a trilha sonora original por Pedro Tambellini.
De Gramado para as Salas de Porto Alegre
Antes de chegar aos cinemas, o filme teve sua primeira exibição pública durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, em uma sessão especial realizada em 20 de agosto no Hotel Serra Azul, que reuniu torcedores, personalidades e representantes dos dois clubes.
A estreia comercial aconteceu em 17 de setembro, exclusivamente nas unidades da rede GNC em Porto Alegre e Santa Catarina. O filme chega depois à TV aberta paga e ao streaming: o SporTV exibirá o documentário nacionalmente em 1º de outubro, às 20h, e a produção também entra no catálogo do Globoplay, disponível exclusivamente para assinantes.
Vozes dos Dois Lados do Rio Guaíba
Produzido pela Giros Filmes e pela Panda Filmes, o documentário reúne depoimentos de nomes ligados à história do clássico gaúcho como jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e jornalistas. Entre os entrevistados estão Abel Braga, Luiz Felipe Scolari, D’Alessandro, Paulo Nunes, Valdomiro, Ancheta, Fabiano, Joãozinho, Carlos Simon, Duda Garbi, Lauro Quadros, Léo Gerchmann, Luciano Potter, Marcelo Ferla, Pedro Ernesto Denardin, Paulo Vinícius Coelho e Juremir Machado da Silva.
A produção fez questão de manter o equilíbrio entre os dois lados da rivalidade: os 84 minutos dividem o tempo de tela igualmente, com 50% dedicado a cada clube. O resultado é um retrato que tenta evitar a parcialidade e se concentrar na dimensão cultural do confronto — mais do que nos resultados dentro de campo, o filme busca entender como o Gre-Nal ajudou a moldar a identidade do Rio Grande do Sul.
Uma Rivalidade Reconhecida Mundialmente
O documentário também recupera o peso do clássico fora do Brasil: uma revista britânica já colocou o Gre-Nal entre as oito maiores rivalidades do futebol mundial, ranking citado na produção como um dos indicativos de que o confronto extrapola as fronteiras estaduais. Ao reunir personagens de diferentes décadas e funções — de árbitros a torcedores históricos —, o filme tenta reconstruir não só os jogos mais lembrados, mas também os bastidores que raramente aparecem nas transmissões esportivas tradicionais.
Por Que Isso Importa
Documentários sobre futebol brasileiro raramente conseguem uma janela de exibição tão ampla quanto a de GRENAL: cinema, TV aberta paga em rede nacional e streaming em menos de duas semanas de diferença. Esse tipo de estratégia de distribuição escalonada tem se tornado mais comum para produções que miram tanto o público apaixonado por futebol quanto quem busca entender a cultura por trás dos grandes clássicos regionais do país. Para os torcedores de Grêmio e Internacional — e para quem só conhece o Gre-Nal de ouvir falar —, o filme funciona como um mergulho na história de uma rivalidade que já atravessou gerações e continua sendo, mais de um século depois, um dos pilares da identidade esportiva gaúcha.
Um Retrato Além do Campo
Ao optar por uma direção dividida entre um cineasta carioca e dois realizadores gaúchos, a produção buscou equilibrar o olhar de quem vive a rivalidade no dia a dia com a perspectiva de quem a observa de fora. Essa escolha ajuda a explicar por que o documentário não se limita a compilar lances e resultados: a proposta é situar o Gre-Nal dentro da história social do Rio Grande do Sul, tratando o clássico como um fenômeno que atravessa estádios e chega às ruas, aos bares e às famílias divididas entre as duas cores. Para quem acompanha o futebol brasileiro apenas pelos grandes centros do país, GRENAL também serve como lembrete de que algumas das rivalidades mais antigas e intensas do esporte nacional nascem fora do eixo Rio–São Paulo.