Uma Noite Dedicada ao Cinema Nacional
O Festival do Rio encerrou a 28ª edição com a entrega dos troféus Redentor da Première Brasil, a mostra competitiva dedicada à produção nacional. Segundo a Agência Brasil, que publicou a cobertura em 12 de outubro, o evento durou dez dias, ocupou diferentes salas da cidade e atraiu mais de 150 mil espectadores. A cerimônia de premiação foi realizada no tradicional Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro.
Os grandes vencedores foram A Margem do Rio, melhor longa de ficção, e Elza, melhor longa documentário. Quem quiser rever como a edição começou pode ler a cobertura da abertura e da programação.
A Margem do Rio: Ficção e Prêmios Técnicos
O longa dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias levou o Redentor de melhor ficção e se destacou também nas categorias técnicas. Ganhou o prêmio de fotografia, para Luciana Baseggio, e o de som, dividido entre Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura. Além disso, o prêmio de melhor atriz coadjuvante foi dividido entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken, pelo mesmo filme.
Elza: Oito Anos de Convivência com Elza Soares
O documentário de Eryk Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha, teve a estreia mundial no próprio festival. Ao receber o prêmio, o diretor se disse muito emocionado por o filme ter nascido no Rio, na cidade de Elza e na dele.
Segundo a Agência Brasil, o projeto reuniu oito anos de filmagens ao lado de Elza Soares, uma das maiores artistas da música brasileira. O filme acompanha a trajetória da cantora pela própria voz, conectando memórias pessoais, canções e imagens de arquivo. O documentário também incorpora imagens de filmes latino-americanos que dialogam com a memória e o imaginário da artista.
Rocha explicou que quis ligar a história da cantora à trajetória do país e às transformações vividas por diferentes gerações. Descreveu o filme como uma obra sobre a mulher brasileira, a mulher negra brasileira, e destacou a proximidade construída com a família de Elza durante a produção, que classificou como uma responsabilidade e também um dos maiores presentes da carreira.
Victor di Marco e o Discurso Sobre Capacitismo
O prêmio de melhor ator foi para Victor di Marco, por London, filme que estreou no Festival de Veneza em setembro e venceu o Leão Queer. Ator, roteirista e diretor, ele aproveitou o discurso para falar de capacitismo e das barreiras enfrentadas por artistas com deficiência no audiovisual.
Di Marco contou que, no início da carreira, ouviu que não poderia atuar por não ter o chamado corpo de ator. A resposta foi desenvolver uma técnica própria de interpretação. Ele dedicou o prêmio à avó, que via novelas com ele e o incentivava a reproduzir as cenas, e defendeu a ampliação das possibilidades de representação de pessoas com deficiência nas telas.
Lista dos Vencedores da Première Brasil
Júri oficial
- Melhor longa de ficção: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias
- Melhor longa documentário: Elza, de Eryk Rocha
- Melhor curta-metragem: Santo, de Maria Luísa Alves
- Melhor direção de ficção: Gabriel Martins, por Vicentina Pede Desculpas
- Melhor direção de documentário: Camila Valença, por Cão Sem Plumas
- Melhor ator: Victor di Marco, por London
- Melhor atriz: Isabel Teixeira (Diário do Fogo) e Grace Passô (A Professora de Francês), em empate
- Melhor ator coadjuvante: Pedro Goifman, por A Professora de Francês
- Melhor atriz coadjuvante: Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por A Margem do Rio
- Melhor roteiro: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins
- Melhor fotografia: Luciana Baseggio, por A Margem do Rio
- Melhor direção de arte: Ana Paula Cardoso, por Funk
- Melhor figurino: Samy Sill, por London
- Melhor som: Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por A Margem do Rio
- Melhor trilha sonora original: Florencia Di Concilio, por A Professora de Francês
- Prêmio especial do júri: O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite
Júri popular
- Melhor longa de ficção: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins
- Melhor longa documentário: Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo
O público escolheu favoritos em cinco categorias no total. Na Mostra Expectativa, o filme mais votado pelo público recebe o Prêmio Aquisição TV Globo, e o vencedor da Première Latina leva o Prêmio Aquisição Telecine, que inclui uma janela de distribuição.
Gabriel Martins nas Duas Listas
O nome que mais aparece entre os vencedores do júri oficial e do público é o de Gabriel Martins. Vicentina Pede Desculpas conquistou direção, roteiro e o voto do público na categoria de ficção, o que indica um filme bem recebido tanto pelos jurados quanto pelos espectadores.
O Que os Números Dizem
O balanço do festival aponta que 101 filmes brasileiros, entre longas e curtas, foram exibidos, e que 45 participaram das mostras competitivas oficiais. Em seus discursos, os cineastas aproveitaram a ocasião para destacar as condições de formação e de financiamento da produção nacional, além do papel dos espaços de exibição no desenvolvimento do cinema.
Festivais como o do Rio funcionam como ponto de encontro entre realizadores, profissionais da indústria, imprensa e público. Ajudam a apresentar filmes inéditos, estimulam o debate sobre linguagem e representação e aproximam as produções brasileiras de programadores e agentes do circuito internacional. Para quem acompanha o cinema nacional, a lista de vencedores funciona também como um roteiro de títulos para procurar quando chegarem às salas ou ao streaming.