Feito Pipa, Candidato do Brasil ao Oscar 2027, Estreia nos Cinemas em 5 de Novembro
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Feito Pipa, Candidato do Brasil ao Oscar 2027, Estreia nos Cinemas em 5 de Novembro

Drama de Allan Deberton sobre um menino do sertão cearense e sua avó, premiado em Berlim e Gramado, chega às salas pela Paris Filmes em 5 de novembro e carrega a aposta brasileira em Melhor Filme Internacional.

Editor

Um filme pequeno com uma missão grande

Faltam pouco mais de dez dias para Feito Pipa chegar aos cinemas brasileiros. A estreia está marcada para 5 de novembro de 2026, uma quinta-feira, com distribuição da Paris Filmes. O longa dirigido por Allan Deberton foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027, o que faz da estreia um momento decisivo para a campanha: é a partir daí que o público e a crítica nacionais vão formar opinião sobre o candidato.

A data merece uma ressalva. A distribuidora chegou a anunciar o lançamento para 24 de setembro, e o filme acabou remarcado. Páginas antigas ainda mostram as duas datas, mas a Paris Filmes confirmou 5 de novembro, segundo reportagem publicada em 17 de outubro pelo portal Alô Alô Bahia.

A história

Feito Pipa acompanha Gugu, um menino de quase 12 anos, apaixonado por futebol, que vive no interior do Ceará com a avó Dilma, professora aposentada. Ela o cria com liberdade e afeto. Quando a saúde dela piora, o garoto tenta esconder o problema para não ser mandado a morar com o pai, Batista, com quem tem uma relação difícil. Os temas apontados pela divulgação são a família, a identidade, o preconceito e a memória.

O roteiro é assinado por Deberton e André Araújo, a partir de lembranças da infância dos dois em Russas, no Ceará, segundo a CNN Brasil. As filmagens aconteceram em Quixadá, no sertão cearense.

Elenco

  • Yuri Gomes interpreta Gugu;
  • Teca Pereira vive a avó, Dilma;
  • Lázaro Ramos é Batista, o pai;
  • Carlos Francisco e Georgina Castro completam o elenco principal.

Deberton é o diretor de Pacarrete, e aqui volta ao interior nordestino com um olhar sobre a infância.

A trajetória nos festivais

O filme teve estreia mundial no Festival de Berlim, em fevereiro de 2026, na mostra Generation Kplus, voltada ao público jovem. De lá saiu com os dois principais prêmios da seção, de acordo com a Paris Filmes: o Urso de Cristal, dado pelo júri jovem, e o Grande Prêmio do júri internacional.

A estreia brasileira foi na competição do Festival de Gramado, em agosto. Lá, Feito Pipa levou os Kikitos de melhor direção, melhor atriz (Teca Pereira), melhor ator coadjuvante (Lázaro Ramos) e melhor filme pelo júri popular, além de menção honrosa para Yuri Gomes. Os veículos divergem sobre o total de troféus, entre quatro e cinco, por isso vale citar apenas as categorias.

Pelo caminho, a distribuidora também lista prêmios nos festivais de Cartagena das Índias, na Colômbia, onde o filme foi o de abertura e Yuri Gomes ganhou o prêmio de interpretação, e de Guadalajara, no México, com melhor filme e prêmio de interpretação dividido entre Gomes e Teca Pereira.

O caminho até o Oscar

A escolha foi anunciada na quarta-feira, 16 de setembro. A Academia Brasileira de Cinema tinha divulgado antes uma lista de 15 longas habilitados e depois seis pré-selecionados: Feito Pipa, 100 Dias, A Fabulosa Máquina do Tempo, A Natureza das Coisas Invisíveis, Nosso Segredo e Vicentina Pede Desculpas. A comissão de seleção tem 15 integrantes, todos profissionais do setor, e é presidida pela produtora Clélia Bessa.

Havia ainda uma segunda porta de entrada para o país. Pelas novas regras da Academia de Hollywood, um filme também pode se qualificar ao vencer um prêmio em um dos seis festivais listados: Berlim, Busan, Cannes, Sundance, Toronto e Veneza. Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, disputava o Platform Prize em Toronto, que daria elegibilidade direta. O prêmio foi para o filme indiano Angh, de Theja Rio, segundo o portal Terra, em texto de 21 de setembro. Com isso, Feito Pipa ficou como a única aposta brasileira nessa via.

O que mudou nas regras

A CNN Brasil resume as mudanças válidas a partir da edição de 2027:

  • o indicado passa a ser o filme, e não o país;
  • o diretor sobe ao palco em nome da equipe, e o nome dele aparece na placa da estatueta, abaixo do título;
  • além da seleção oficial do país, vale a conquista de um dos seis festivais citados.

Antes, o envelope e a estatueta traziam o nome do país, como aconteceu com Ainda Estou Aqui, vencedor da categoria no Oscar de 2025.

O que esperar da campanha

As indicações ao Oscar serão anunciadas em 21 de janeiro de 2027, uma quinta-feira, e a cerimônia está marcada para 14 de março de 2027, um domingo. Entre uma data e outra, o filme precisa se fazer visto por votantes da Academia.

A CNN Brasil ouviu duas especialistas sobre as chances. A jornalista Mariane Morisawa, da Abraccine, argumenta que o sucesso recente do cinema brasileiro pode ajudar o novo candidato. A pesquisadora e crítica Paula Jacob pondera que visibilidade, sozinha, não basta, e lembra que os filmes que mais chamam atenção neste ano passaram por festivais de menor prestígio. As duas concordam que uma campanha depende de distribuição internacional, marketing, sessões para votantes e imprensa, e que esse esforço pode custar milhões.

Feito Pipa também está na programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em exibição até 29 de outubro, no grupo de filmes enviados por seus países ao Oscar de Melhor Filme Internacional, de acordo com a CNN Brasil.

Serviço

  • Filme: Feito Pipa
  • Direção: Allan Deberton
  • Estreia: 5 de novembro de 2026, nos cinemas
  • Distribuição: Paris Filmes
  • Elenco: Yuri Gomes, Teca Pereira, Lázaro Ramos, Carlos Francisco e Georgina Castro

Para quem acompanha o Oscar, o filme de Deberton é a aposta oficial do Brasil para a lista de indicados de 2027. Para quem só quer ver um bom drama, é uma história de afeto entre um neto e uma avó, ambientada num sertão de seca e de memória.