
É incrível para quem ama o mundo da Coquetelaria, saber que até hoje, um bar aberto em 1931 seja referência em qualidade de serviço, bons coquetéis e acima de tudo preserva as mesmas características da data de sua inauguração.
Pesquisando, encontrei uma matéria que narra a história de maneira muito poética, mas talvez esse seja o grande segredo do sucesso do Harrýs Bar, então vou tentar reproduzi-la de forma romântica.
A criação do bar é antes de mais nada, um elo de amizade, confiança e esperança!
Corria o ano de 1930 e o Hotel Europa Britannia acabava de abrir suas portas e seu bar. No balcão, via-se a figura de Giuseppe Cipriani sempre sorridente, pronto para servir e ouvir.
No dia de sua inauguração um grupo de americanos adentrou o bar logo pela manhã, e entre eles estava Harry Pickering. Como bons bebedores, ficaram o dia todo no bar, e esse ritual foi repetido religiosamente durante dois meses pela turma, até que uma briga separou Harry de seus amigos e estes, deixando-o sozinho sem dinheiro e com uma conta gigante no bar.
Cipriani, comovido com a situação do rapaz emprestou a ele 10 mil liras, todo o dinheiro que possuia na época, para que ele pagasse a conta do Hotel e regressasse aos EUA em segurança. Harry prometeu ao amigo que voltaria, e que ele aguardasse no mesmo local, preparando seus drinques e sonhando com seu próprio bar.
Meses se passaram sem notícias do jovem, e Cipriani já era motivo de chacota por seus amigos.

Em Fevereiro de 1931, Harry entrou no Hotel entusiasmado e gritou para Cipriani: “Obrigada pela ajuda! Eis aqui o dinheiro que me emprestou, e mais um pouco para que comecemos um bar. Ele vai se chamar Harry’s Bar, e você será meu sócio!!!
Durante alguns anos foram sócios, mas o jovem não tinha vocação para o comércio, além de ser o seu melhor cliente! Vendeu sua parte à Cipriani e quando visitava Veneza, sentava-se no balcão do seu antigo bar por muitas vezes.
O Harry’s Bar foi inaugurada em Maio de 1931 e virou uma lenda. Lá foram criados clássicos como o Belinni ( que homenageia o pintor preferido de Cipriani, Giovanni Belinni), o Bloody Mary (em homenagem a uma garçonete de nome MARY de um bar concorrente chamado BUCKET BLOOD).
O Belinni criado no Harry’s é talvez o mais caro do mundo! Custa 13 euros, e no verão são vendidos em média 600 drinques por dia!!!

Ao contrários de seus concorrentes, o Harry’s Bar não possui instalações luxuosas, continuando com tecido na parede e piso de madeira, tudo para deixar o cliente bem à vontade segundo Ciprinani. Outra coisa que tem a mão dele é a iluminação que não é nem baixa nem exagerada, mas no ponto para se divertir em um aconchegante lugar.
Em 1960 um segundo andar foi acoplado, cabendo mais 70 pessoas, já que o térreo comportava 60 originalmente.Os clientes mais tradicionais jamais sobem, considerando apenas o térreo como ” a lenda”.Essas são apenas algumas das muito boas histórias que encontrei sobre esse bar que já na década de 60, foi considerado um dos melhores bares do mundo.
Aos que puderem visitar, aqui vai o endereço do bar:
Harry’s Bar
Calle Vallaresso, 1323, 30124 Venezia, Itália
Autora: Nina Rodriguez























