Todo Clássico será Respeitado!

As novidades da coquetelaria moderna são surpreendentes com seus sabores ousados, misturas inusitadas e criações pra lá de divertidas! Mas sinto falta de um bom drink preparado somente com a base alcoólica, um suavizador  perfumado e um suco ou um soft  para finalizar! Comprei esses dias um livro chamado The Little Black Book of Cocktails, e qual não foi minha surpresa, quando passei horas olhando receitas antigas e simples!

É claro que os avanços na nossa profissão são necessários, que a mixologia molecular foi uma incrível descoberta e uma revolução na arte da coquetelaria, mas sou antiga no paladar e gosto mesmo é de um bom Whisky Sour, de uma Margarita ou um Mojito! Adoro a mitologia por trás dos drinks, das personalidades envolvidas em sua criação e admiro a simplicidade e ao mesmo tempo, a complexidade da sua elaboração.

Vejam o Blood Mary! Lá pelo ano de 1934 em Paris, os intelectuais da Bella Epoque bebiam incansavelmente em reuniões secretas para criarem livros de contos, poesia ou romances. O americano Peter Petiot criou esta mistura para seus compatriotas que visitavam a França em expedições literárias.  Criou-se um mito de que a Rainha Mary I teria perseguido implacavelmente os protestantes da Inglaterra durante a chamada Revolução Católica e o vermelho característico ao drink refere-se ao sangue santo, sangue sagrado da Rainha Maria I.

Se fato ou não, o importante é que esse coquetel entrou para a lista dos mais respeitados e difíceis de fazer, pois seus apreciadores são muito exigentes em seu preparo e ingredientes.  E o que dizer do imortal Dry Martini? Todo cidadão tem sua própria receita desse fantástico e estiloso drink, até Alfred Hitchcock, mestre do suspense, apreciava essa mistura e tinha sua própria forma de fazer: com a garrafa fechada, passava na borda da taça o Vermouth Nolly Prat para garantir que o drink seria seco!

Vamos então ao Vesper, clássico, famoso e o preferido de nosso Agente 007! Agora é chegada a hora do famoso “shaken, no stirred”…

Uma única frase mudaria o conceito e a forma de beber deste cocktail, e todo bom barman sabe que, um Martini deve ser servido em taça muito gelada e com seu líquido translúcido e sem resíduo de gelo.

Então porque James Bond insiste em “batido, não mexido?”

Minha teoria: adicionando água aos ingredientes o Martini se torna mais leve,seu contado com o gelo na coqueteleira faz com que o drink fique mais “aguado”,e assim nosso Agente estaria sempre um pouco mais “sóbrio” do que seus inimigos!

Imaginação a parte, o fato é que o Vesper é um clássico respeitado no mundo inteiro, sem o preconceito de ser “batido ou mexido”, e é consumido sempre com a intenção de, pelo menos por um momento, sentir o poder de dizer: Bond…James Bond!

É isso!

Nossa coluna falará sempre de um cocktail, um acontecimento inovador, novos profissionais e tendências do mercado de bar e café, minha outra paixão que também terá seu lugar por aqui.

Até o próximo encontro!

Autora: Nina Rodriguez

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